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CÂNCER : PREVENIR É O MELHOR REMÉDIO -07/09/2008

 

OBESIDADE, REALIDADE CRESCENTE NOS NOSSOS DIAS: COMO IDENTIFICAR E TRATAR
Dr. João Hermógenes R. C. Neto*

   

           

            Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) obesidade é definida como: “Condição de acúmulo anormal ou excessivo de gordura no tecido adiposo, numa extensão em que a saúde pode ser prejudicada.”
            Através do cálculo do Índice de Massa Corpórea ( IMC), é possível enquadrar o indivíduo adulto como estando abaixo do peso, normal, sobrepeso, pré-obeso, obeso e suas classes. Por definição, tem-se que IMC é:  IMC =  Peso do indivíduo adulto (Kg) dividido pela Altura ao quadrado. Por exemplo, um indivíduo de 1,80m e que pese 70Kg terá um IMC de 70 dividido por 1,80 vezes 1,80, que será igual a IMC = 21,6.
            Abaixo, apresentamos uma tabela que define, através do IMC, qual a gravidade do acúmulo de gordura:

CLASSIFICAÇÃO

IMC

RISCO À SAÚDE

Abaixo do peso

< 18,5

Baixo (risco aumentado para outros problemas)

Normal

18,5 – 24,99

Médio

Sobrepeso

≥ 25

 

Pré-obeso

25 – 29,99

Aumentado

Obeso Classe I

30 – 34,99

Moderado

Obeso classe II

35 – 39,99

Grave

Obeso Classe III

≥ 40

Muito grave

                              
            A prevalência de sobrepeso e obesidade esta aumentando numa taxa alarmante em todo o mundo  entre crianças e adultos, de modo que, a obesidade passou a ser considerada pela OMS como uma epidemia global (OMS, 2004). Pesquisa realizada no Brasil no ano de 1989 revelou prevalência de obesidade em cerca de 6% dos homens e em 13% das mulheres.
            Vários são os riscos associados à obesidade, variando de aumento de morte prematura a várias doenças debilitantes que afetam negativamente na qualidade de vida. Em indivíduos com sobrepeso ou obeso, torna-se bem mais comum doenças tais como: acidente vascular cerebral, doenças do coração, hipertensão, câncer, diabetes melito, apnéia do sono, gota, doenças pulmonares, problemas psicológicos, complicações ortopédicas, alterações hepáticas, entre outras.
            Em termos gerais, a obesidade é conseqüência de um desequilíbrio energético, sendo a ingestão de alimentos (energia) maior que o gasto de energia, durante um período considerável. Outros fatores  como predisposição genética, alterações no metabolismo e hábitos culturais estão envolvidos no desenvolvimento da obesidade.
             O controle da obesidade, visto que a obesidade é uma condição crônica, se faz com medidas não-medicamentosas, medicamentosas e cirúrgicas. As medidas livres de medicamentos, como restrição de alimentos, prática de exercícios físicos e melhoria nos hábitos de vida, são ideais e recomendadas para uma vida mais saudável. O uso de medicamentos deve ser restrito a casos onde a dieta e os exercícios não foram suficientes e o paciente apresenta risco associado à saúde. As medidas cirúrgicas só devem ser seguidas em obesos mórbidos.
            Em casos onde o individuo já desenvolveu a obesidade, os riscos à saúde tornam-se maiores e as medidas de dieta e atividade física não foram suficientes ou não cumpridas, considera-se necessário o uso auxiliar de medicamentos.
            Segundo o Consenso Latino-Americano de Obesidade (1998), a prescrição de medicamentos para tratar obesidade deve ser apenas nas seguintes condições:
Pacientes com IMC igual ou maior que 30Kg/m2;
Pacientes com IMC igual ou maior que 25Kg/m2, quando obesidade associada a outros fatores como hipertensão arterial, diabetes tipo 2 hiperlipidemia etc;
Quando dieta e atividade física não trazem êxito.
            Segundo o mesmo Consenso, o medico deve estar atento, antes de prescrever medicações para emagrecer, às seguintes observações:
A medicação não deve ser considerada como único fator no tratamento e sim um auxiliar à restrição dietética e exercício físico;
Deve ser ajustada ao tratamento integral do paciente e não apenas à redução de peso;
Deve sempre ser prescrita e acompanhada por um médico.  
            A medicação com fins de emagrecimento não deve ser utilizada em crianças, pois não há estudos que mostrem segurança de seu uso nessa faixa etária. O tratamento com medicação deve ser utilizado apenas se for considerado seguro e eficaz para uma determinada pessoa. É bom lembrar que o que faz bem para uns pode ser ruim a outros.
            De modo resumido, pode-se dividir os medicamentos para emagrecimento em três classes a saber: os que atuam no sistema nervoso central (SNC); os inibidores da absorção intestinal de nutrientes e os medicamentos que agem alterando o metabolismo.
            Dentre os que agem no SNC, destacam-se: 1. as anfetaminas, substâncias que estimulam o cérebro e inibem o apetite, devendo ser usadas com precaução em pessoas hipertensas, alcoólatras, gravidez; e 2. as drogas antidepressivas que agem estimulando o centro da saciedade.
            Os inibidores da absorção de nutrientes agem formando uma massa no intestino que impede a absorção do alimento, fazendo-o ser eliminado sem ser extensamente absorvido. Estas medicações possuem efeitos colaterais mais brandos, porém não inibem a fome e por isso proporcionam resultados irregulares.
            Como se pode perceber, a obesidade é uma realidade cada vez mais comum em nossos dias, é grave e sua resolução é bem mais complexa do que simplesmente utilizar medicamentos. A indicação do uso de medicamentos para emagrecer deve ser segundo um sério critério do médico responsável, considerando os riscos e os benefícios de seu uso. Para o paciente, é válido ter em mente que a obesidade é uma doença debilitante que pode levar a morte, e mesmo com o sucesso do uso de medicação para emagrecer tão importante quanto este fato é desenvolver uma vida saudável, com pratica de exercícios físicos regulares e alimentação  adequada.

*Dr. João Hermógenes R. C. Neto. CRF/PE 03033 é Responsável técnico pelos medicamentos manipulados fórmula bella, Especialista em Citologia Oncótica, pela UCB e Mestre em Patologia, pela UFPE

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